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Programa Preventivo para o Ombro do Nadador: Evidências Científicas e Aplicação Prática

Prevenção de lesões do ombro em nadadores

A prevenção das lesões do ombro em nadadores deve ser baseada em uma abordagem multifatorial, envolvendo mobilidade, flexibilidade, fortalecimento muscular, controle neuromuscular e monitoramento adequado da carga de treinamento. Estudos recentes demonstram que programas preventivos estruturados são capazes de reduzir significativamente a incidência de dor no ombro e melhorar o equilíbrio muscular durante a temporada competitiva1.

O objetivo principal desses programas é otimizar a função do manguito rotador e da musculatura estabilizadora da escápula, estruturas essenciais para a manutenção da biomecânica adequada da braçada e para a redução das forças compressivas e de cisalhamento na articulação glenoumeral2.

Protocolo pré-água (10 a 15 minutos)

O aquecimento realizado antes da entrada na piscina deve promover aumento da temperatura muscular, ativação neuromuscular e preparação específica para os movimentos repetitivos da natação.

Liberação miofascial

Peitoral maior

O nadador deve posicionar uma bola ou rolo de liberação na região anterior do tórax, realizando movimentos lentos e controlados durante aproximadamente 30 segundos em cada lado.

Objetivo: reduzir a tensão da musculatura anterior do ombro e favorecer um melhor posicionamento escapular.

Latíssimo do dorso

Com o corpo em decúbito lateral, o atleta realiza movimentos de deslizamento sobre o rolo entre a região axilar e a porção lateral do tronco.

Objetivo: melhorar a mobilidade do complexo do ombro durante a fase aérea da braçada.

Coluna torácica

Posicionar o rolo transversalmente na região torácica média e realizar movimentos suaves de extensão.

Objetivo: aumentar a mobilidade torácica, importante para a eficiência da rotação corporal durante o nado.

Exercícios de mobilidade

Open book

Em decúbito lateral, com quadris e joelhos flexionados, o nadador realiza a abertura do braço superior em direção ao solo do lado oposto.

Séries: 2 séries de 8 repetições por lado.

Benefícios: melhora a mobilidade torácica e reduz compensações no ombro durante a braçada3.

Extensão torácica no rolo

Com o rolo posicionado na região torácica, realizar movimentos lentos de extensão da coluna.

Séries: 2 séries de 8 a 10 repetições.

Mobilidade de ombro com bastão

Segurando um bastão com pegada ampla, realizar elevação acima da cabeça até o limite confortável.

Séries: 2 séries de 10 repetições.

Ativação com faixa elástica

Rotação externa

Com o cotovelo junto ao tronco e flexionado a 90°, realizar a rotação externa do ombro contra a resistência elástica.

Séries: 2 séries de 15 repetições.

Principais músculos ativados:

  • Infraespinal
  • Redondo menor

Estudos demonstram que déficits de força e resistência dos rotadores externos estão associados ao desenvolvimento de dor no ombro em nadadores4.

Pull apart

Segurando o elástico à frente do corpo, afastar as mãos até promover retração escapular.

Séries: 2 séries de 15 repetições.

Músculos-alvo:

  • Trapézio médio
  • Romboides

Face pull

Com o elástico fixado na altura do rosto, puxar em direção à face finalizando com rotação externa.

Séries: 2 séries de 12 repetições.

Objetivo: melhorar a estabilidade escapular e a função do manguito rotador.

Serratus punch

Com o braço estendido à frente do corpo, realizar uma projeção adicional da escápula para frente contra a resistência do elástico.

Séries: 2 séries de 15 repetições.

O serrátil anterior possui papel fundamental na rotação superior e estabilização da escápula durante a natação5.

Wall slide com elástico

Com uma faixa elástica posicionada nos punhos, deslizar os braços sobre a parede mantendo tensão constante.

Séries: 2 séries de 10 repetições.

Objetivo: ativação simultânea do serrátil anterior e do trapézio inferior.

Protocolo pré-academia (15 a 20 minutos)

Antes das sessões de fortalecimento, recomenda-se um trabalho complementar de ativação muscular e preparação articular.

Face pull na polia

Realizar a puxada em direção ao rosto com foco na retração escapular.

Séries: 2 séries de 15 repetições.

Remada baixa com isometria

Executar a remada e manter a contração máxima por dois segundos.

Séries: 2 séries de 12 repetições.

Objetivo: fortalecimento dos estabilizadores escapulares.

Y raise inclinado

Em banco inclinado entre 30° e 45°, elevar os braços formando a letra “Y”.

Séries: 2 séries de 12 repetições.

Músculo predominante: trapézio inferior.

Rotação externa na polia

Realizar o movimento de rotação externa mantendo o cotovelo próximo ao corpo.

Séries: 2 séries de 12 repetições.

Scaption

Elevar os braços aproximadamente 30° à frente do plano frontal, com os polegares voltados para cima.

Séries: 2 séries de 12 repetições.

Este exercício apresenta elevada ativação do supraespinal com menor risco de impacto subacromial6.

Flexibilidade pós-treino

Após as sessões de treinamento, recomenda-se:

  • Alongamento do peitoral maior (2 x 30 segundos)
  • Alongamento do latíssimo do dorso (2 x 30 segundos)
  • Sleeper stretch para cápsula posterior (2 x 30 segundos)
  • Alongamento do trapézio superior (2 x 30 segundos)
  • Mobilidade torácica em rotação (1 minuto por lado)

Considerações finais

Programas preventivos para o ombro do nadador devem ser incorporados rotineiramente à preparação física e técnica dos atletas. A literatura atual demonstra que a combinação de fortalecimento do manguito rotador, estabilização escapular, exercícios proprioceptivos e controle da carga de treinamento representa a estratégia mais eficaz para reduzir o risco de dor e lesão no ombro1,2,4.

Além da prevenção, essas intervenções podem contribuir para melhora da eficiência mecânica da braçada, economia de movimento e desempenho esportivo ao longo da temporada.

Referências (Vancouver)

  1. Tavares N, Ribeiro DC, Costa PB, Silva AJ, Marinho DA. Effect of preventive exercise programs for swimmer’s shoulder: a randomized controlled trial. Healthcare (Basel). 2025;13(5):538.
  2. McKenzie A, Duhig SJ, Shield AJ, Timmins RG. Shoulder pain and injury risk factors in competitive swimmers: a systematic review. Scand J Med Sci Sports. 2023;33(12):2466-2488.
  3. Struyf F, Tate A, Kuppens K, Feijen S, Michener LA. Musculoskeletal dysfunctions associated with swimmers’ shoulder. Br J Sports Med. 2017;51(10):775-780.
  4. Kennedy J, Braman JP, Oliveira AS, Tate A. Clinical objective tests and measures associated with shoulder pain in swimmers: a systematic review. Int J Sports Phys Ther. 2024;19(1):1-18.
  5. Tsuruike M, Ellenbecker TS. Serratus anterior and lower trapezius muscle activities during multijoint isotonic scapular exercises. J Athl Train. 2015;50(2):199-210.
  6. Phadke V, Camargo PR, Ludewig PM. Scapular and rotator cuff muscle activity during arm elevation: a review of normal function and alterations with shoulder impingement. J Electromyogr Kinesiol. 2009;19(5):e351-e358.
  7. Davis DD, Nickerson M. Swimmer’s shoulder. In: StatPearls. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2024.
  8. Lech O, Piluski P, Bonadiman JA, Bordin F. Cicatrização do manguito rotador. Porto Alegre: Artmed; 2026.

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